Primeira Noite
Os comentários na comunidade a respeito da primeira noite entre Aurélia e Fernando foram muitos, normalmente reclamando da falta de romantismo ou da forma como a cena foi editada, assim, nossa amiga Polly descreve abaixo como gostaria que tivesse sido esta primeira noite...
“Após deixar os amigos na sala Fernando não pode evitar sentir-se feliz. Estar finalmente a sós com sua esposa;sentir a mão de Aurélia entre as suas, estar tão próximo que se sente o perfume de seus cabelos. Tudo que ele deseja é estar assim, simplesmente próximo. Sentira tanto sua falta na cadeia!.

Ao entrarem no quarto ele percebe que ela não sente nenhum pudor, e ao sentir suas mãos já buscando os botões de sua camisa ele se dá conta que ela também sentira sua falta. ‘Vamos ver como está este ferimento?’ Ah, como fora perverso! Pensa com um sorriso nos lábios. ‘Já estou bem melhor, nem parece que estive à beira da morte’. Ela só estava preocupada com seu estado físico, por isto vinha tão serena. Infelizmente serenidade é tudo que não sente tendo a mulher que ama tão perto. Esforça-se em se controlar quando ela começa a abrir os botões de seu colete, sentir seus dedos qual plumas sobre seu peito, despertam-lhe certas sensações que seguramente não são da intenção de Aurélia. Logo ela abre-lhe a camisa, suavemente desliza as mãos até a ferida. ‘Ah, veja só, parece bem cicatrizada’. ‘Não falei? Agora tenho direito a um beijo’. Afinal, não lhe importa cicatrizes, ferimentos, perigos, não lhe importa nada. Só aquela mulher que tem a seus pés. Toma-lhe a mão e mira-lhe os olhos. ‘Você tem direito a tudo. É um homem livre novamente’.

Justamente as palavras que queria escutar. Ele leva as mãos de Aurélia à boca e beijá-as delicadamente. Em seguida liberta tão ternas cativas e tomando o rosto da amada em suas mãos, aproxima-o tocando seus lábios, num terno beijo de amor.

Beijo que vai se intensificando, tão desejado e esperado, que não pode ser contido. Logo sente as mãos de Aurélia em seus cabelos, revolvendo-os, demonstrando o quanto ela também se delicia com este contato. Se soubesse o quanto isto o excitava!

Mas, ah, depois de tanto tempo separados, depois de tantos desejos, de tantas ansiedades frustradas, tudo que ele realmente deseja é tê-la aí, em seus braços. Ele diz a ela o quanto esperou por este momento e ela não necessitaria responder. Estava claro em seus olhos, o quanto ela também esperara por aquilo. E desta vez é ela quem o beija. Toma-lhe com tal necessidade que ele se sente nas nuvens. Eles se abraçam, como se sentir o outro fosse vital.

A espera o consumiu por tanto tempo, onze meses de desejo, pensando se um dia a teria. E ali estavam, juntos! Ele a beija, olhos cerrados, mãos que se sentem, se tocam, ela o abraça, eles suspiram. Fernando a puxa até a cama, Aurélia não resiste, o quer tanto quanto ele a deseja. Não pensa no que acontece, apenas vivencia o que é simplesmente a materialização de seus sonhos. ‘Fernando...’ Suspira, enquanto suas mãos passeiam pelo peito do homem, que também agitado, beija-lhe o pescoço. Ela não pensa, aquele pedaço de carne é como seda em suas mãos, sente os pelos crespos, deliciada, nunca estivera com um homem assim antes. Ela se assusta um pouco, ao perceber que ele intenta desabotoar-lhe o vestido. Por mais que o ame e deseje não pode evitar este laivo de pudor. Fernando se afasta um pouco, e mirando-lhe intensamente pede-lhe que seja sua. Ela não pode dizer outra coisa que sim, que será inteiramente sua. De novo ele a beija e sente o gosto salgado de sua saliva na ponta da língua. Está tão feliz...

Ele não pode controlar-se, a deseja tanto. Começa a abrir-lhe o vestido, e se perde num mar de sedas e botões, e percebe surpreso que Aurélia o ajuda, sorrindo. Gostaria de despi-la lentamente, num tributo a seu corpo, mas não pode. Ela é tão linda, quer tanto sentir a maciez de sua pele.

Percebe que ela se põe levemente colorada ao ficar em espartilho. Ele se levanta e apaga as velas. Volta à cama e beija delicadamente seus ombros, tenta se conter um pouco para não assustá-la. Logo ela o envolve em seus braços. Entre beijos o espartilho é retirado e ele sente, finalmente, a maciez de sua pele. Oh, quão delicioso é senti-la assim, sente o arfar de seu peito, parece-lhe que seus corações batem em uníssono.

Aurélia está simplesmente maravilhada. Em seu interior, sempre tivera um pouco de medo deste momento tão íntimo. Sua mãe nunca lhe falara nada, e nunca se atrevera a perguntar as amigas. Tudo o que sabia se devia as palavras entrecortadas que ouvira quando mocinha, conversar surpreendidas de adultos que nunca chegara a compreender. Mas estar assim, sentir a pele de Fernando contra sua pele nua. Senti-lo assim, com seus seios, pensou com as faces vermelhas, era uma sensação que nunca supunha, que não imaginara.

Fernando também estava maravilhado com a beleza de sua esposa. Eles pareciam meninos descobrindo um novo brinquedo. As mãos se tocavam, se apertavam, o restante da roupa lançada, em meio a gestos violentos, misturadas no chão, como se elas também ansiassem por estar juntas. Aurélia foi empurrada contra o travesseiro, em meio a um tórrido beijo, sentia de maneira muito viva o gosto de Fernando em seus lábios, ela já não pensava, sentia. Eles se acariciavam, se descobriam, eram instrumentos não só da paixão, que neste momento os consumia, mas do amor que se tinham. Do Amor, que se manifestava em beijos e sensações, mas que não os abandonava. Que estava presente nos úmidos olhos de Aurélia, no bem estar em estar simplesmente juntos, no respeito que traz a intimidade sem receios.

E aquela não era só a primeira vez de Aurélia, como a primeira vez de Fernando, a primeira vez que fazia sua uma mulher que amava. E não será isto, afinal, fazer amor? Que dizer agora, das pálidas experiências anteriores que tratavam apenas de carnes? Corpos que não traziam maior significação que as sensações que despertavam, para serem rapidamente esquecidas.

Sim, ele tivera outras mulheres, mas nunca as amara deste modo, nunca sentira, em meio à urgência de seus instintos, uma adoração tão profunda por cada cêntimo de pele que tocava, nunca se espantara daquela maneira, espanto maravilhoso, de sentir que afinal, não fazia sua aquela mulher... Era ele quem se entregava. Pasmo com aquela constatação, ele a olhou em meio às sombras. Com as velas apagadas, Aurélia não conseguia vê-lo claramente, mas sentiu, pela gravidade de seus gestos que algo importante ocorrera. Por isto o envolveu carinhosamente. E ele a fez sua.

Pouco depois, aconchegada nos braços de Fernando, Aurélia pensava na revelação que era pertencer a um homem. Ela tocou-o e percebeu por sua respiração suave que ele dormia. Ah, claro que aquilo não era muito agradável no início, quando ele a possuía ela sentiu não só medo, como dor. Mas logo a gentileza de seu marido devolveu-lhe a confiança, e os beijos renovados a paixão que não fora perdida. Certamente aquela fora uma experiência única, um instante mágico. Puxou os lençóis e acomodou-se junto a Fernando, enquanto Morpheu a capturava em estado de pura graça.”