Sobre a Novela Senhora de 1975 - Maria Eliane...

Novela “Senhora”
1975


Aurélia (Norma Blum)

Ficha Técnica

REDE GLOBO - 18h

De 30 de Junho de 1975 a 17 de Outubro de 1975

89 capítulos

Novela de: Gilberto Braga
Adaptação do romance "Senhora" de José de Alencar

Direção
Herval Rossano


Sinopse

Adaptação de Gilberto Braga do romance homônimo de José de Alencar, com direção de Herval Rossano e produção de Almeida Santos.

Passada no século XIX, Senhora narra a história de Aurélia Camargo (Norma Blum) e Fernando Seixas (Cláudio Marzo), que, embora apaixonados, não podem se casar, porque são pobres. O relacionamento entre os dois termina quando Fernando aceita um dote de 30 contos de réis para casar-se com Adelaide (Fátima Freire). Ao completar 18 anos, porém, Aurélia herda uma fortuna do avô, um fazendeiro. Ela decide dar 100 contos de réis para casar-se com Fernando, que rompe com Adelaide, mesmo sem saber quem é a noiva misteriosa que lhe oferece o dote mais alto.

Aurélia e Fernando casam-se. Apesar de se amarem, por orgulho não demonstram o sentimento. A moça quer se vingar do marido e lhe impõe severas humilhações. A convivência entre os dois é infeliz, e, depois de 11 meses, Fernando devolve o dote a Aurélia e acusa-a de ter agido por vingança. A moça então revela que o ama e que se casou na verdade por amor.

A linguagem do romance de José de Alencar foi mantida na maior parte dos diálogos, muitas vezes repetindo literalmente a obra. A adaptação foi fiel também na divisão da telenovela em três partes, com flashback do passado de Aurélia a partir do capítulo 25.

Senhora foi a primeira novela da faixa das 18h a ter longa duração (80 capítulos) e ser exibida em cores. A trilha sonora, que incluía músicas de época, teve como tema de abertura uma composição especialmente feita pelo maestro Walter Branco.

As gravações foram realizadas em cinco locais fixos de externa, no Rio de Janeiro: Quinta da Boa Vista, Museu Nacional, Consulado da Argentina e algumas ruas de Santa Teresa; gravou-se também no Teatro Municipal de Niterói.

Reapresentada a partir de abril de 1976, às 13h30, em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Pernambuco.

Quem é Quem

Aurélia Camargo (Norma Blum)
Fernando Seixas (Cláudio Marzo)
Adelaide Amaral (Fátima Freire)
Torquato Ribeiro (Osmar Prado)
Lemos/Ramos (Alberto Perez)
D. Firmina Mascarenhas (Zilka Salaberry)
Mariquinhas (Lúcia Alves)
Nicota (Elisa Fernandes)
D. Camila (Miriam Pires)
Manuel Tavares do Amaral (Felipe Wagner)
Alfredo Simões (Fausto Rocha)
Maria do Carmo (Cleide Blota)
Eduardo Abreu (Paulo Ramos)
Emília (Ida Gomes)
Donana (Gracinda Freire)
Fagundes (Nestor de Montemar)
Bernardina (Darcy de Souza)
Anastácia (Cléa Simoes)
Rosa (Chica Xavier)

E Ainda:
Rogério Fróes
Ivan Setta
Maria do Roccio
Norma Suely

Bastidores

* A hipocrisia do casamento por interesse, prática comum na época, é mostrada nesta obra dividida em quatro partes, que têm nomes de partes de uma transacção comercial: O Preço, Quitação, Posse e Resgate.
* Esta foi, não só a primeira novela a cores produzida para o horário das 18 horas, como a primeira com mais de 20 capítulos. A Globo deixava as mini-novelas de 20 capítulos e partia para produções mais longas (as novelas passaram a ter mais de 80 capítulos).
* Uma fiel reconstituição da corte carioca do século passado, traçando um brilhante painel do Rio de Janeiro da época.
* A novela consagrou a bela atriz Norma Blumm que interpretava Aurélia Camargo, a protagonista.
* Destaque também para Zilka Salaberry que interpretou D. Firmina, a simpática e cativante amiga de Aurélia.

Trilha Sonora

LADO A
01. Quem Sabe? - Francisco Petrônio e Dilermando Reis
02. Ontem Ao Luar - Paulo Tapajós

LADO B
01. Recordando - Orquestra Romanza
02. Aurélia - Orquestra Waltel Branco [ABERTURA]

 

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'Senhora' completa 30 anos

Rede Globo levou a romântica história de José Alencar para telinha para comemorar o centenário do escritor
André Bernardo

Há 30 anos, a Globo aproveitou o centenário de publicação do livro "Senhora", escrito por José de Alencar, para levar às telas um dos mais importantes romances urbanos do escritor cearense. Adaptada por Gilberto Braga, "Senhora" narrava a conturbada história de amor de Aurélia Camargo e Fernando Seixas no Rio de Janeiro do Século 19. Embora apaixonado por Aurélia, Fernando aceita casar-se com Adelaide por causa de seu dote de 30 contos de réis. Mas uma inesperada herança enriquece Aurélia, que transforma-se na moça mais rica da corte do dia para a noite. Tão rica que, num gesto de vingança, resolve "comprar", por 100 contos de réis, o amor do noivo que a desprezara.

O romance "Senhora" chegou à Globo em 1975 pelas mãos do diretor Herval Rossano. Em maio daquele mesmo ano, ele já havia dirigido "Helena", adaptação de Gilberto Braga para o romance de Machado de Assis, que inaugurou o horário das seis como dedicado a adaptações de clássicos da literatura brasileira. Já "Senhora" tornou-se a primeira novela das seis a ser exibida em cores e também a primeira do horário a ter longa duração 80 capítulos, contra os 20 de "Helena" e "O Noviço", versão de Mário Lago para a peça de Martins Pena.

Para os papéis de Aurélia e Fernando, Herval escalou Norma Blum então com 36 anos, já um tanto "madura" para interpretar a personagem-título e Cláudio Marzo, em sua primeira novela de época. Hoje no elenco de "Floribella", Norma Blum fala com saudades daquele que considera um de seus mais importantes trabalhos. "Nas ruas, as mulheres se identificavam muito com a Aurélia. Acho que, no fundo, toda mulher tem uma história de dor-de-cotovelo para contar", generaliza. Para ela, muito da repercussão de "Senhora" se deve ao clima de harmonia que reinava nos bastidores. "Todo final de semana, a gente organizava festinhas para comemorar o sucesso da novela. Era feijoada que não acabava mais...", entrega.

A exemplo de Norma, Herval Rossano também destaca a união entre os atores. Ele lembra que, antes de escalar o elenco, cansou de ouvir que Cláudio Marzo não passava de um reles "criador de casos". "Comigo, nunca foi. Pelo contrário. Foi sempre um companheiro notável", sublinha. Até hoje, Herval não esquece do último dia de gravação, quando Cláudio Marzo ardia em febre. De tão combalido que estava, o ator quase não se agüentava em pé e tinha de se apoiar nos colegas de cena. "A única recordação que guardo desta época foi o sítio que comprei no meio do mato. Fora isso, não guardo saudades daquele tempo. O assédio era muito grande e eu quase não podia sair nas ruas", resmunga Cláudio, então um dos galãs da Globo, com novelas como "Véu de Noiva", "Minha Doce Namorada" e "Carinhoso" no currículo.

A novela "Senhora", porém, não foi a primeira inspirada na obra de José de Alencar. E tampouco foi a última. Ao lado de Jorge Amado, é um dos mais adaptados da teledramaturgia brasileira. As novelas "As Minas de Prata", de Ivani Ribeiro, e "Sinhazinha Flô", de Lafayette Galvão, e a minissérie "O Guarani", de Walcyr Carrasco, são apenas algumas delas. "A estrutura narrativa dos livros do José de Alencar sempre serviram de base sólida para qualquer teledramaturgia. Além de ser um romancista extremamente visual, também utilizava o recurso do 'gancho' ao término de cada capítulo como ninguém", enaltece o pesquisador Mauro Alencar, que resolveu homenagear o autor de "Iracema" adotando o sobrenome em substituição ao seu Corrêa Lima.

Dos muitos autores que beberam e ainda bebem da fonte de Alencar está Marcílio Moraes. É dele a novela "Essas Mulheres", da Record, que é inspirada não em uma, mas em três histórias do escritor: "Lucíola", "Diva" e a própria "Senhora". Hoje, Christine Fernandes e Gabriel Braga Nunes dão vida aos personagens que, na versão original, pertenceram a Norma Blum e Cláudio Marzo. "O José de Alencar é um dos ficcionistas mais portentosos que existe. Não é à toa que o próprio Machado de Assis nutria fervorosa admiração por ele", destaca Marcílio.

Fontes Sites:
http://www.fatimafreire.ato.br/novelas/senhora.htm
http://www.normablum.com.br/
http://www.gilbertobragaonline.com/sr/index.html