Meu Final Para Aurélia e Fernando - Maria Eliane

*Aurélia e Fernando*

Ao voltar para casa, Aurélia e Fernando seriam recepcionados por Pedrinho e Damiana. No mesmo dia, expulsariam Lemos e Bela.

Depois disso, eles se recolheriam ao gabinete, onde se beijariam e se olhariam com cumplicidade e muita alegria, como se tivessem um “novo plano”.

Cada um iria para o seu quarto e, ao voltar, estariam vestidos como na noite de núpcias, para que fossem curados, definitivamente, do trauma daquela noite. Sentados no divã, trocariam beijos e carinhos, enquanto esclareciam alguns daqueles pontos que ficaram no ar.

Fernando se revelaria ainda um pouco incomodado com a riqueza dela. Então, Aurélia lhe mostraria o testamento, assinado na noite de núpcias. (Apenas para ilustrar a importância disso, vou transcrever algumas palavras do último capítulo do livro.)

A moça desprendeu-se dos braços do marido, correu ao toucador, e trouxe um papel lacrado que entregou a Seixas.
- O que é isto, Aurélia?
- Meu testamento.
Ela despedaçou o lacre e deu a ler a Seixas o papel. Era efetivamente um testamento em que ela confessava o imenso amor que tinha ao marido e o instituía seu universal herdeiro.
- Eu o escrevi logo depois do nosso casamento; pensei que morresse naquela noite, disse Aurélia com gesto sublime.
Seixas contemplava-a com os olhos rasos de lágrimas.
- Esta riqueza causa-te horror? Pois faz-me viver, meu Fernando. É o meio de a repelires. Se não for bastante, eu a dissiparei.

Só então Fernando se sentiria finalmente à vontade para dizer que aquela casa era o “seu lar” e veríamos aquele brilhante diálogo que tiveram no penúltimo capítulo, quando Fernando expressou tão poeticamente seus sonhos sobre filhos, a felicidade que viveriam, a perpetuação de sua história pelos séculos.
Quando Aurélia, emocionada, dissesse: “Meu amor, meu único e grande amor”, Fernando responderia: “Meu amor, SENHORA do meu coração.”

E então, em vez de serem interrompidos por Pedrinho e Damiana, eles iriam para o quarto dela... e as palavras daquela última cena de amor que foi ao ar fariam realmente sentido.

Ah, e poderiam prolongar mais os beijos e carinhos, por que não? Digamos que o bastante para ficar mais emocionante... mas não o suficiente para se tornar apelativo.