Sobre as Cenas dos Ciganos... - by Lála Cordeiro
Obs.inicial - Que bom ver Rodrigo sem aquela pompa de inspetor. Tão diferente do homem que prendeu Fernando e foi tão duro com tanta gente... É, o que não faz o poder...

Damiana sempre ‘empatando’. Eita que tem gente que não perde os maus costumes... *rs*. Pena que Aurélia perdeu o jeito de fazê-la sair de perto. Hahaha

Alguns ‘sinais’ observados nestas cenas e paradoxo com tantas outras:

Aurélia esperando poemas - a musa inspiradora. A musa que Fernando sempre teve em sua lembrança foi esta Aurélia ‘do início’. Em determinada cena posterior (a do ‘boa noite’) ele lamenta, duvidando que ela voltaria... Os dois sabiam a que ele se referia, e por isso tanto pesar (no fim da cena citada, Fernando chora). Depois da reconciliação, ainda na casa de dona Camila (quando Fernando mostra à amada que voltou a andar), os dois sorriem quando ele diz que escreverá um poema de amor. A musa voltou!
[Ah, e Aurélia era uma mulher sensível. Gostava das palavras escritas pelo amado, e esse dom lhe causava enorme admiração. Ela sofreu tanto quanto ele quando ‘a fonte secou’.]

Aurélia provocando:
(vídeo 02)
F – ... sozinho com você, um cavalheiro é capaz de perder a cabeça... E cometer loucuras...
A – Que tipo de loucuras?
[maravilhoso foco em seu esplendoroso rosto]

Problemas – O rapaz não conta seus problemas à amada. E esse foi um de seus maiores erros, que trouxe conseqüências e gerou tanto mal entendido entre os dois (Fernando terminou com Aurélia por causa da falta de dinheiro; esta o comprou achando que ele precisava do dinheiro para suprir apenas suas vaidades – o que não deixava de ser verdade – e, aí, se inicia a terrível ‘bola de neve’...)

Senhorio – Fernando apresenta Aurélia como soberana absoluta de seu coração. Como isso muda! Depois que a dama reaparece rica, o senhorio é o mais discutido. Ela fez questão de portar-se como senhora, endeusada por seu orgulho. E ele, por ter perdido sua dignidade, deveria portar-se como escravo submisso (cena da ‘briga do tapa’). Só o declarar do amor os tornou Senhor e Senhora Seixas. O Senhorio do amor é diferente do senhorio do orgulho: enquanto o segundo é egoísta e aprisionador, o primeiro é de extrema generosidade.

A beleza que não pode ser descrita em palavras – as palavras do cigano nos remetem ao Soneto de Shakespeare.

O pudor de Aurélia e Damiana, e a cumplicidade de ambas – as duas ficam ruborizadas diante do cumprimento do cigano. Tempos depois, Damiana não consegue entender como a mocinha doce que ela ajudou a criar portava-se com tamanha arrogância perante seu marido e sua própria vida.

A dança – que marca momentos muito importantes: o primeiro baile, quando o casal se conheceu; a festa da ‘trégua’; o baile do último capítulo, quando começam a viver um amor maduro e cheio de futuro; e a dança destas cenas no acampamento cigano, que marcariam o auge do início do romance;

O beijo durante a dança – como no baile final;

Fernando declara que seu amor é maior que a vida – como na ‘cena dos amassos’ (vídeo 02);

Olhos nos olhos – marca registrada;

Aurélia não diz que nunca foi amada. Ela afirma que nunca amou – ‘presença’ de Eduardo. O apaixonado que se tornou um grande e fiel amigo.

“Feche os olhos” – como na cena da visita na prisão. É preciso ver além do olhar físico. Sentir...

O amor é como a flor rara – “Quando acontece uma chance em 1000 você tem que pegar. Não acontece duas vezes se dessa vez passar...”

Desejo físico – Fernando diz, romanticamente, que pensa em ter o corpo da amada junto ao seu. Esta vontade foi terrivelmente suprimida durante tanto tempo, e aflorou ardente nas cenas ‘dos amassos’;

Felizes, em qualquer situação – os dois estavam felizes, apesar dos problemas. O estar junto os fazia completos. (isso foi dito por Alfredo, quando foi visitar Fernando na prisão; por Aurélia, quando Alfredo conta do amor de Fernando; por Fernando, ainda convalescente na casa de dona Camila; e pelo casal, no Convento);

Dia mais feliz de suas vidas – depois destes, veio, enfim, o da ‘primeira vez’, e os que se sucederam a este. Os dias juntos (por completo) eram os mais felizes.

A família de Fernando – na verdade, Aurélia só conheceu realmente dona Camila, Mariquinhas e Nicota depois de reconciliada com o esposo. Ela nem sequer vai ao casamento de cunhada mais nova. Na iminência do divórcio, a Senhora pede desculpas à sogra por ter estado afastada delas.

Incompreensível – Fernando e Aurélia guardaram dentro de si a imagem juvenil um do outro. Era incompreensível achar no cônjuge que agia movido pelo orgulho, o namorado (a) apaixonado (a). Não poderia ser! Eles, então, sofrem pela perda do ideal (a Polly escreveu muito bem sobre isso). Mas, graças ao tempo, um vai descobrindo qualidades no ser real que o outro é: este é o grande mérito da convivência.
Isso tudo foi escrito por José de Alencar, felizmente Marcílio manteve na novela, tendo sido brilhantemente representado por CF e GBN.


Este período do início do romance pode ser comparado ao que começa quando Fernando e Aurélia se reencontram na casa de Adelaide. Como no primeiro, o último traz consigo a alegria, os olhares brilhantes, o sorriso aberto e desmedido, a admiração mútua, a cumplicidade, o futuro...
O tempo “negro” foi importante porque trouxe amadurecimento (Aurélia fala sobre isso com Eduardo, e Fernando destaca na noite de núpcias). Mas, as melhores características voltaram com força total.

Enfim, um amor pleno, maduro, mas ainda adolescente, com o friozinho na barriga, com o gostar de estar junto. Com o ser o maior para sempre....

Pra variar, escrevi demais... Mas, poderia continuar... Os olhos de Fernando e Aurélia sempre me trazem novidade... Como se esse amor fosse vivo e real também pra mim..

Encerro parabenizando os autores por nos presentearem com o respeito da coerência do texto, e aos atores Christine Fernandes e Gabriel Braga Nunes, por viverem tão bem cada uma das nuances desses dois personagens tão reais.

Até!

Obs.final – agora fica ainda mais fácil entender como foi difícil para os dois ficarem separados... as lágrimas doloridas de ambos... ui. - *rs*