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Sei que vou tratar de assuntos já discutidos,
e peço desculpas pela repetição, mas aqui reúno
todas as minhas observações sobre o capítulo final.
Desculpem
o excessivo egoísmo, e estejam livres para discordar.
Vamos
por tópicos:
Alfredo
e Leocádia - Alfredo era encantado por Leocádia,
e nem suas posições extremas e tão diferentes das
suas diminuíam o encanto da ‘caça’. Mas, a ‘mulher
desejada’ chegou no limite do tolerável quando atingiu em
cheio a vida de amigos do ‘pândego’. O que fez Alfredo
desistir não foram as posições escravistas de Leocádia,
mas sua interferência cruel na vida dos amigos Mila, Geraldo e Augusto
(vale lembrar, que Geraldo sempre se refugiou na casa de Alfredo). O jornalista
poderia aturar tudo, menos a infelicidade dos amigos.
De repente, Leocádia se vê sem aquilo que parecia sua última
segurança: a admiração de Alfredo. Sendo assim, não
lhe sobrou nada: apenas a verdade. E isso a levou a tomar uma atitude:
revelar seu último grande segredo. Alfredo descobre, então,
coragem na ‘mulher desejada’ e resolve dar-lhe um voto de
confiança. Se a viagem foi bem sucedida, se os dois permaneceram
juntos... quem vai saber?
A
‘pouca emoção’ de Lúcia com a morte do
pai - Aposto no espanto: Maria da Glória voltou ao ponto
de Maria da Glória. Ela tornou-se cortesã para impedir a
morte do pai, e ali estava ela, com o pai morto em seus braços.
A personagem foi a mais excluída da sociedade, mas, se tivesse
ficado em seu meio, provavelmente também teria se envolvido com
Ferreira - afinal, ele estava no baile de máscaras (que marcou
o início da trama), e era ‘amigo de amigos’: suas histórias
fatalmente se cruzariam. Maria da Glória percebe então,
que fez um longo e turbulento caminho para.... para voltar a ser Maria
da Glória. Ela estava ali atônita. Nada mais natural.
A
loucura de Lemos - Paulo Gorgulho e Marcílio Moraes (o
autor) conseguiram o inacreditável: Lemos superou Lemos. Sem comentários!
Apenas todos os aplausos. Surpreendente!!
Eduardo
Abreu entrando na festa cercado por Nina e Laura - Eduardo ama
Aurélia. Isso ele deixou bem claro. Mas, provou a magnitude de
seu sentimento com a renúncia. Ao longo da história, ele,
Aurélia e Fernando chegam a um consenso sobre tudo isso, optando
pelo bom caminho da amizade. Como prova de gratidão e confiança,
Aurélia mostra a Eduardo um novo rumo para uma nova vida: a advocacia.
Ele torna-se então um dos maiores advogados da Côrte, e seu
final é marcado por sua consagração profissional:
a condenação de Lemos e absolvição de Maria
da Glória.
Sobre o futuro sentimental do advogado, fica em aberto que ele pode se
apaixonar, mas que seu coração foi marcado para sempre pela
grande Senhora.
E
Torquato?? - O médico termina dançando e conversando
(reparem) com uma moça. Ele foi perdidamente apaixonado por Adelaide
e, mesmo depois do rompimento, de saber das maldades da amada, e da morte
desta, seu coração não poderia estar vazio tão
facilmente.
Mas, ele estava ‘na dança’. Estava aberto a novos amores.
Por que não? (pensem, seria estranho se ele aparecesse completamente
envolvido com outra depois de tudo o que tinha vivido recentemente).
Bela
não visitou Lemos na prisão - Como muitos de nós
imaginávamos, Bela não era má, mas ingênua
e deslumbrada. Ela acreditava que o pai era um ídolo. A moça
tinha crescido sem grandes recursos e realmente confiava que tudo o que
o pai almejava e pelo que lutava era subir na vida. A amizade com Adelaide
também reflete isso (mesmo sendo sincera), afinal, esta era a filha
do banqueiro...
Vale lembrar que Bela era uma menina, adolescente, provavelmente. Tinha
pudores demonstrados principalmente no que dizia respeito a seu coração
(ela ficou assustada quando Adelaide manteve Fernando em seu quarto).
Mas, o mais grave para ela foi quando Lemos se mostra um vilão.
De repente, sua maior referência se mostra totalmente sem escrúpulos.
Quando seus olhos finalmente começaram a se abrir ela reagiu com
espanto, e mesmo com dignidade. Incentivou o pai a sair da casa de Aurélia
e se escandalizou quando este confessou o roubo de parte da fortuna dos
sobrinhos.
Como ela poderia visitá-lo na prisão?? Se o fizesse, estaria
diante do monstro que não conhecia.
Tentando seguir sua vida, assumiu o negócio da família (algo
que era incomum para moças, principalmente em se tratando de uma
charutaria – ambiente freqüentado principalmente por homens).
E, sobre Romualdo... foi bonitinho da parte dos dois...
A
cena final na Gazeta Liberal – Chorei. Talvez por ser jornalista,
talvez por achar lindo e estimulante aquele ambiente e admirar tanto aqueles
atores.. Ferreira parecia dizer o que o próprio Daniel Boaventura
e os demais queriam ao exclamar: “Como eu amo esse lugar!”.
Sobre a ausência de Fernando na cena – talvez soasse um pouco
arrogante se ele estivesse lá, já que era o novo sócio
do jornal.
(obs.
Lindo Ferreira jamais ter cobrado Lúcia por sua ‘derrocada’.
Ele provou sua integridade assumindo que tudo o que fez foi por sua própria
vontade.)
O
penteado, figurino e maquiagem de Aurélia no último baile
- Estava ali Aurélia em sua nova fase: a de esposa.
Vamos relembrar?? – a moça humilde e pobre; - a moça
apaixonada, humilde e pobre; a moça apaixonada, humilde, pobre
e orgulhosa (esses três em cerca de um ou dois capítulos
– roupas simples);
a moça ferida, rica e orgulhosa; a esposa ferida, rica e orgulhosa
(nesses dois, vestida como ‘aparição’ –
roupas brancas e maquiagem imponente); a esposa que não consegue
mais esconder seu amor (“trégua da gazeta” –
o branco começa a ser menos usado, dando lugar a roupas mais coloridas
– como o vestido azul claro); a mulher que não consegue mais
sufocar o furor de seu amor, e começa a lutar para construir seu
casamento (época ‘dos amassos’, do divórcio,
e da saída de Fernando de casa – a maquiagem começa
a clarear);
a esposa, mas ainda mocinha, apaixonada (roupas docemente claras, maquiagem
leve e cabelos romanticamente soltos); a ‘esposa em núpcias’,
que tem a certeza de seu amor e junto a ele luta pela felicidade (dá
pra ver que sua aparência já vai deixando de ser de tão
mocinha pra tornar-se mulher – a transição é
bem discreta, quase imperceptível, e vai das núpcias até
eles voltarem pra casa); e, agora, a mulher-esposa.
Essa última fase foi destacada no último baile. A maquiagem
volta a ter tons vermelhos. O cabelo, apesar de preso, ñ é
mais o imponente do tempo de arrogância. E o vestido, não
mais o reluzente branco, nem o doce romântico (como aquele rosinha
ou o azul clarinho). Pelo conjunto, ela mostra ter se tornado uma mulher.
Até mesmo pelas atitudes nesta última cena. Claro que todas
as fases de Aurélia acompanham as de Fernando. E, nesta, eles estão
seguros e não devem nada a ninguém. Estão, enfim,
assumidos como senhor e senhora Seixas diante da sociedade (a festa foi
dada por eles). Eles lembram da primeira fase (o baile de máscaras)
com o saudosismo com que os adultos lembram da adolescência, e com
a expressão do amor que foi amadurecido e agora é pleno.
[muitos
aplausos para a equipe de figurinistas-maquiadores e, claro, para Christine
Fernandes e Gabriel Braga Nunes que interpretaram brilhantemente essas
tantas mudanças de fases. Atores completos, que representaram em
plenitude].
A lembrança do baile de máscaras - prova
do amadurecimento.
ps. O baile do casamento de Pedrinho e Ana faz um contraponto perfeito
a este primeiro: o baile de máscaras foi em um salão fechado,
à noite, e todos estavam de máscaras; o baile do casamento
foi ao ar livre, durante um dia ensolarado, e sem máscaras. Ou
seja, nada podia ser escondido. Tudo estava muito às claras.
A
ausência da cena do testamento - não teria sentido
no rumo que a história tomou. A cena era fundamental no livro,
para dar emoção, mas a adaptação de Marcílio
e Roseane nos conduziu a outros caminhos pelos quais o casal se acertou.
Não teria sentido agora aquela cena (por mais bela que pudesse
ser). E, como casal, provavelmente com o tempo eles conversariam sobre
o testamento, o porquê de Fernando precisar do dinheiro do dote,
entre outros assuntos... O importante é que essas coisas não
eram mais tão fundamentais, já que eles já tinham
provado o enorme amor que sentiam. Já havia o perdão tão
duramente conquistado. Vivendo como marido e mulher, os outros assuntos
seriam discutidos e esclarecidos a seu tempo.
A ‘curta’ cena de amor entre Aurélia e Fernando
no último capítulo – Nós temos que
entender. Principalmente nós. O capitulo já estava fechado.
Aquela cena foi encaixada às pressas, graças àquele
nosso e-mail e à boa vontade do autor.
Não teria como ser longa, porque desmontaria o capítulo
já pronto. O próprio Marcílio nos falou naquela mensagem
que ele já tinha entregue o final e, depois de nosso e-mail, acrescentou
apenas aquela cena ( http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=1632544&tid=2423966023730742663&start=1
).
E, muitos julgaram ter sido ‘muito automático’. Como
eles já estavam naquela casa há alguns dias, aquela não
era a primeira vez que os dois ‘se uniam plenamente’ ali.
Era mais um dos momentos de entrega física. Acho que foi escolhido
este porque foi logo depois que todos esclarecem o ‘fim dos vilões’
(a cena na sala da casa, com o banqueiro, dona Ordália e Torquato).
A história é contada, esclarecida, e eles seguem aliviados
(*rs*)
O
encontro das amigas (Essas Mulheres) - essa é uma cena
que eu esperava muito e que me surpreendeu, porque foi natural. Aurélia
e Fernando são os anfitriões que recebem Lúcia e
Ferreira (Lúcia não vai à cerimônia do casamento
da própria irmã por ter sido cortesã. Sua presença
poderia constranger os convidados e afetar Aninha). E Mila é quem
as chama para dançar. Justo Mila, que desde o início foi
quem mais circulou pelos ambientes de Aurélia e Lúcia. Ela
foi lá, cheia de sua leveza e espontaneidade peculiares, puxar
as duas amigas para bailarem com seus amores.
Que surpresa boa!! Marcílio e Rosane mais uma vez fugiram do óbvio.
Poderiam escrever aquela cena clássica, das três se encontrando,
e tendo uma longa conversa sobre seus caminhos e destinos. Mas, isso também
fica no ar. Elas são amigas, oras! Vão comemorar bailando.
Como amigas, de certo conversarão. Mas, aquele era tempo de bailar...
Enfim, quero destacar mais uma vez a maestria dos autores. O final foi
tão surpreendente e coerente como toda a trama. Um último
capítulo sem clichês (casamento de protagonistas, filhos,
cenas extremamente marcantes, etc.). Nos deu aquele gostinho de que foi
um capítulo a mais... um belo capítulo... um capítulo
da vida dos nossos adorados personagens. Afinal, a vida é isso,
não?! Uma seqüência de capítulos vividos, contados
e recontandos (como disse Fernando quando ele e Aurélia voltam
para o lar).
“E
foram felizes para sempre...”
Acho que o mais adequado é dizer: “E continuaram vivendo
e buscando a felicidade de forma honesta, livre e fiéis a si mesmos”.
Meus mais sinceros, empolgados e emocionados aplausos.
Lála
(Lathife Cordeiro)
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